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By Ferramentas Blog
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março 24, 2012

DESABAFO DE PARAENSE

Créditos:  A Voz de Sílvio Jr. 

http://www.facebook.com/OrgulhodeSerParaense




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NOVELA DA GLOBO RIDICULARIZA O POVO DO PARÁ.
A autora da novela das seis está desrespeitando o povo paraense, mostrando nossa gente como verdadeiros bichos, como se estivéssemos alheios ao que acontece no mundo, um povo sem cultura, que não sabe como se comportar em lugar nenhum.
Estamos indignados com as cenas que a novela vem mostrando nas últimas semanas: imaginem um jornalista ficando impressionado ao ver um computador. O motorista de taxi perguntando aos personagens se aqui era o final do mundo e a atriz se impressionando com a praia de Copacabana, como se não fosse normal. Observem como foi tratada a cena: com deboches, como se entrar na água com roupa, ou se admirar uma praia bonita fosse coisa de outro mundo.
Diferente do que os sulistas pensam, não temos jacarés nas ruas e nem andamos nus. Queremos informar que nosso estado é rico, possui praias lindas de água doce e salgada com destaque para Alter do Chão -“ O caribe brasileiro”, natureza exuberante, povo acolhedor, uma culinária riquíssima, temos ainda uma grande instituição de pesquisa em saúde pública, com referência nacional e regional para alguns agraves de saúde, o 5º maior laboratório de nível de segurança 3 da América latina, com grandes profissionais com títulos e filhos da terra.
Cara “autora”, estude e pesquise antes de se propor a fazer qualquer coisa, principalmente, quando falar da questão cultural. Temos muito orgulho de nossa terra e de nossa gente, somos papa chibé sim, e queremos ser respeitados. ( Jdhenef Dias )

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Desabafo!!!
Minha terra tem mangueiras

Onde a sombra vou buscar.
os frutos que delas brotam

São mais doces que os de cá.
Minha terra tem um povo,
alegre, puro e hospitaleiro,
que emprega o português correto
Em seu falar mais corriqueiro.

Tu viste, tu foste, tu queres.

Não é difícil para nós.
Difícil é falar para aqueles
que não ouvem nossa voz.
Minha terra tem primores,
tem belezas sem igual,
o que mais posso dizer da
minha bela Belém, capital.

Falar o "égua" como espanto,
ou como forma de encanto;
Torno-se algo grosseiro
Nas bocas dos forasteiros.

Como ousam pronunciar assim,
minha marca de nascença,
Sem o menor cuidado tomar,
achando que isso lhes dará audiência.

Então agora peço licença
Para um conselho lhes dar,
Pois que empreguem os verbos certos
Em suas conversas de boteco
E depois venham pra cá.


Minha cidade é no norte,
meu sotaque não é forte,
minha praia é de rio,
To meio longe do mar.

Me refresco é na chuva, depois do tacacá.

Vocês não podem imaginar,
Nem a GLOBO contará.
Isso tudo só verá
quem um dia for ao Pará.
Não permita Deus que eu morra

 Sem que eu volte para lá;
Sem que encontre as raízes
Que deixei ao vir pra cá.

A puta que os pariu, Rede Globo!
Quer fazer? Faz direito! Amor, Eterno Amor é o cacete!

(Alvarez Marcelina)

dezembro 22, 2011

Apinagés de Volta!

Yey!!! Recolocaram o nome original!!! Nossas origens e nossa história mais perto de nós. :D
Parabéns ao pessoal que lutou contra aquela pouca-vergonha !

dezembro 19, 2011

Chega disto, né?

Primeiro com nossos irmãos nordestinos, e agora conosco. Já bati e debati esses preconceitos "sulistas" aqui.
Até onde vimos, um usuário do Twitter estava a xingar nosso jeito de falar. Nisso tudo lembrei do que o professor Pasquale falou sobre nós quando disse que nosso sotaque é um dos mais aportuguesados do Brasil.

Segue aí o texto do prof. Pasquale:

"Estive em Belém, capital do Pará para proferir duas conferências. Tudo ótimo, do pessoal que organizou o evento às inúmeras pessoas que compareceram e assistiram às palestras. É claro que nessas ocasiões presto muita atenção no que ouço.

Nada de procurar erros, pelo amor de Deus! O que me fascina é descobrir as particularidades da linguagem de cada comunidade, de cada grupo social. E a linguagem dos paraenses - mais especificamente a dos belenenses - é particularmente interessante. "Queres água?", perguntava educadamente uma das pessoas que participaram da equipe de apoio. O pronome "tu", da segunda pessoa do singular, é comum na fala dos habitantes de Belém. Com um detalhe: o verbo conjugado de acordo com o que prega a gramática normativa, ou, se você preferir, exatamente como se verifica na linguagem oral em Portugal.

Em Lisboa e em Belém, é muito comum ouvir "Foste lá?", "Fizeste o que pedi?", "Trouxeste o livro?", "Queres água?", "Sabes onde fica a rua?". Inevitável lembrar uma canção de uma dupla da terra, Paulo André e Rui Barata ("Beira de mar, como um resto de sol no mar, como a brisa na preamar, tu te foste de mim"). "Tu te foste", diz a letra, certamente escrita assim pelo letrista Rui Barata, exatamente como dizem as pessoas em Belém. A cantora Fafá de Belém, equivocadamente, gravou "fostes". Uma pena! "Fostes" serve para vós: "vós fostes". O que se ouve em Belém - "foste", "fizeste", "queres" - não é comum em qualquer região do país. Em boa parte do Brasil, é freqüente o emprego do pronome "tu" com o verbo conjugado na terceira pessoa: "Tu fez?", "Tu sempre faz isso?", "Por que tu não estuda?", "Tu comprou o remédio?". Para a gramática normativa, isso está errado. Se o pronome é "tu", o verbo deve ser conjugado na segunda pessoa do singular: "fizeste, fazes, estudas,
compraste", nas frases anteriores.

Na linguagem oral, a mistura de pessoas gramaticais ("Você fez o que te pedi?" ou "Tu falou", por exemplo) é tão comum no Brasil que é impossível não ficar surpreso quando se vai a Belém e se ouve a segunda pessoa do singular como se emprega em Portugal. Aliás, Belém tem forte e visível influência portuguesa, a começar pela bela arquitetura. Ainda segundo a gramática - e segundo o uso lusitano, vivíssimo -, quando se usa "tu", não se usa "lhe".

E aí a roda pega, até em Belém, onde, apesar dos verbos e do sujeito na segunda pessoa, às vezes se ouve o pronome "lhe": "Foste lá? Eu lhe disse que devias ir". Qual é o problema? O pronome "lhe" se usa para "você", "senhor", "senhora", "Excelência", ou qualquer outro pronome de terceira pessoa. Na língua formal, "tu" e "lhe" não combinam. Na frase anterior, o "lhe" deveria ser substituído por "te": "Foste lá? Eu te disse que devias ir". E mais: como já expliquei em colunas anteriores, para a gramática normativa, o pronome "lhe" não deve ser empregado com verbos que não pedem
a preposição "a".

Com o verbo "dizer", que pede a preposição "a" (dizer a alguém), tudo bem: "Você foi lá? O que ele lhe disse?". Mas com "admirar", "procurar", "abraçar", que não pedem a preposição "a" (admirar alguém, procurar alguém, abraçar alguém), nem pensar em "lhe" na língua culta: "Todos admiram você/Todos o admiram"; "Todos procuram você/Todos o procuram"; "Ela abraçou você/Ela o abraçou".

Não custa repetir que todas essas observações têm como base a gramática normativa, que, na linguagem oral, ou seja, na fala, como se vê, não é aplicada integralmente em nenhum canto do Brasil. O que fazer? Nada de histeria. Nem tanto ao mar, nem tanto a terra. Nada de imaginar que se deva exigir de todo brasileiro, na fala, o cumprimento irrestrito das normas lusitanas de uniformidade de tratamento. E nada de achar que não se deve ensinar isso nas escolas, que não se deve tocar no assunto. Afinal, a uniformidade de tratamento está nos clássicos brasileiros e portugueses, está na língua viva, oral de Portugal e de outros países de língua portuguesa.

Está até na poesia brasileira deste século. E também na música popular da Bossa Nova ("Apelo", de Baden e Vinicius, por exemplo: "Meu amor, não vás embora, vê a vida como chora, vê que triste esta canção; eu te peço: não te ausentes, pois a dor que agora sentes...") a Chico Buarque ("Acho que estás te fazendo de tonta, te dei meus olhos pra tomares conta, me conta agora como hei de partir" versos de "Eu Te Amo", música de Tom Jobim e letra de Chico Buarque).

Não custa repetir: na língua culta, formal, é desejável a uniformidade de tratamento. Quando se usa tu, usam-se os pronomes te, ti, contigo, teu. Quando se usa você, senhor, Excelência, usam-se os pronomes o, a, lhe, seu. E também não custa pesquisar um pouco, ler os clássicos e os modernos. Ou fazer uma bela viagem a Belém e lá tomar o tacacá. E ouvir algo como "Fizeste o trabalho?"."

-> Nós? Nós sabemos muito bem nossas origens: negra, branca, latina e indígena. Agora tu... tu, irmão meu, não sei de onde vieste, nem para onde vais com tanto fardo inútil.

Se foi só uma briga com uma paraense, não precisava ter, aparentemente, xingado todo um povo.

dezembro 13, 2011

Índios Parkatêjê lançam livro e DVD

De: Diálogos Políticos
Foi no dia nove de dezembro que a aldeia dos Parkatêjê, em Marabá, município do Pará, comemorou o lançamento do livro e do DVD que conta a história da pequena comunidade, que já esteve ameaçada de extinção. Com muita festa e comemorações típicas da cultura local, os cerca de 350 indígenas que formam a população da tribo vibraram com o fim de um trabalho onde os próprios participaram diariamente, desde as falas até as gravações. “Isto pertence ao meu povo” é o título do livro, que teve apoio da Vale do Rio Doce. Ao todo, dois mil exemplares foram distribuídos entre a aldeia e visitantes. A obra tem 196 páginas e é o resultado de entrevistas com o cacique Krôhôkrenhum (foto abaixo), já octagenário e fundador da tibro. As entrevistas foram feitas por voluntários da própria aldeia, que antes passaram por processo de aprendizagem nas oficinas.
A filha do capitão Krôhôkrenhum, Iracema, também conhecida como Krôhôkre, participou ativamente na coleta de informações do passado sobre seu povo, e afirma ter realizado um sonho com toda a aldeia. “Participei na oficina. Nós tivemos mais um pouco de conhecimento. Hoje temos uma base de como fazer esse trabalho, como fazer um livro. A felicidade para todos nós foi grande. Foi nossa realização, um sonho realizado”, afirmou.
Foto: Gleriston Rodrigues - SRZDTodo o trabalho teve a coordenação das linguistas Leopoldina Araújo e Marília Ferreira, docentes da Universidade Federal do Pará. As oficinas finais de organização e ilustração de obras foram feitas com o designer gráfico Guilherme Kiehl Noronha. Já o filme, com cenas filmadas por membros da aldeia, chama-se “Eu não posso morrer de graça”, do cineasta Vicent Carelli. Este convive com o capitão desde a década de 60. A ONG Vídeo nas Aldeias também ajudou a tornar o sonho uma realidade.
O disgner Guilherme contou que a aldeia passou pelo aprendizado de filmagem e movimentos de câmera com o objetivo de os próprios moradores da comunidade registrarem sua história. Ele afirma que este foi o trabalho mais prazero que já fez, mesmo já tendo realizado outras atividades nessa área. O processo todo pouco mais de um ano.
“Cada publicação é como um filho. Para mim o maior desafio desse livro foi poder trazer a criação do projeto gráfico para dentro da aldeia. Era uma coisa que eu queria fazer há muitos anos”, disse.
Festa para o lançamento
O fim de semana foi de festa para os índios Parketêjê. Logo na entrada da aldeia, a faixa que estampa o orgulho: “É bonito assim nossa história sair no mundo”. Na quinta-feira, os índios faziam os preparativos para receber outras pessoas de aldeias vizinhas e visitantes da cidade. A decoração, a comida, os enfeites, tudo preparado com antecedência. O capitão, que costuma se recolher cedo, fez “hora extra” para terminar o trabalho que ainda precisava ser realizado.
Foto: Gleriston Rodrigues - SRZD
A sexta-feira foi o grande dia do lançamento. Com sorrisos para todos os lados, a aldeia celebrou a apresentação do livro e do DVD com rituais próprios. As crianças saudaram a chegada do capitão Krôhôkrenhum ao palco improvisado. Com canção no dialeto local, o jê timbira, que voluntários e mais velhos da aldeia tentam resgatar nos mais novos, os pequenos soltaram a voz. Depois, o capitão emocionado apresentou o livro para todos, onde o próprio está na capa.
Logo depois foi a vez de todos cumprimentarem o capitão. Primeiro os visitantes e em seguida os índios. A celebração também contou com a tradicional corrida de tora, onde tanto homens quanto mulheres corriam com uma grande tora de madeira. Quando um cansava, outro assumia a responsabilidade de carregar o peso. Uma dança típca e depois a refeição encerraram os festejos. 
Eu quero um! :-) Meikwy Tekjê Ri, Isto Pertence Ao Meu Povo.

dezembro 09, 2011

Reservas Marinhas

 Estava lendo um pouco sobre isso e achei alguns textos:

29/10/2009

Pará sedia encontro sobre reservas marinhas


Pescadores, marisqueiros, catadores de caranguejo e pesquisadores de todo o Brasil participam no município de Bragança, a 215 quilômetros de Belém, do I Encontro Nacional das Reservas Extrativistas Costeiro Marinhas, promovido pelo Instituto Chico Mendes, com a parceria do governo do Estado, por meio do Instituto de Desenvolvimento Florestal do Pará (Ideflor). O encontro começou no último dia 26 e encerra nesta sexta-feira (30).

O Pará tem nove reservas extrativistas marinhas, dentre as 22 existentes no Brasil. Sandra Gonçalves, 39 anos, uma das duas únicas mulheres no Pará a dirigir uma reserva extrativista, disse que "a criação do Ideflor contribuiu muito para o avanço das reservas". "O Ideflor garante recursos para oficinas de viveiros de mudas, para reflorestamento, dentro do programa 1 Bilhão de Árvores. Mas, ajuda, principalmente, no trabalho de conscientização das comunidades que dependem da fauna marinha para sobreviver. Não jogar lixo nos mangues, não derrubar árvores frutíferas, são trabalhos de conscientização que desenvolvemos em parceria com o Ideflor", completou a pescadora de camarão Sandra Gonçalves, presidente da reserva Mãe Grande, no município de Curuçá, e da Central das Associações das Reservas Marinhas do Pará.

A reserva marinha mais antiga do Pará tem sete anos, fica em Soure, município do Arquipélago do Marajó, e é presidida pela catadora de mariscos Patrícia Farias. Segundo dados do Ideflor, mais de 30 mil famílias no Pará dependem da fauna marinha para garantir emprego e renda.

"O evento servirá, também, para discutir medidas que consolidem território e políticas públicas integradas, que tragam melhorias para o setor", acrescentou Waldemar Vergara, coordenador do evento e gestor da Resex Marinha de São João da Ponta.

Destaques - De 37 itens ou produtos não-madeireiros, os que mais se destacam em produção são os frutos de açaí (R$ 103,2 milhões); amêndoas de babaçu (R$ 102,2 milhões); fibras de piaçava (R$ 88,9 milhões); erva-mate nativa (R$ 86,9 milhões); pó cerífero e cera de carnaúba (R$ 48,6 milhões e R$ 13,3 milhões, respectivamente); castanha do pará (R$ 43,9 milhões); palmito nativo (R$ 9,9 milhões); látex coagulado de hevea ou seringueira nativa (R$ 7,9 milhões).

Esses produtos somaram 93,7% do valor total da produção extrativista vegetal não-madeireira do país em 2008, totalizando R$ 539,2 milhões. O norte do Brasil detém 90,7% da produção nacional de açaí (fruto); 98,3% da produção de castanha do pará; 11,3% de fibras de piaçava; 94,7% de palmito e 99,8% de látex coagulado de hevea.

No final da manhã, Airton Faleiro confirmou que no próximo dia 11 de novembro (quarta-feira), acontecerá na Assembleia Legislativa uma audiência pública para tratar das reservas extrativistas marinhas. (Diário Online com informações Secom)

Edição de 18/11/2011


Áreas de preservação serão criadas até o final do próximo ano por instituto

O litoral paraense terá novas Reservas Extrativistas (Resex) marinhas até o final do ano que vem em Marapanim, Magalhães Barata, São Caetano de Odivelas e Quatipuru, solicitadas por comunidades de pescadores que pretendem proteger os recursos naturais de onde tiram seu sustento. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que administra e gerencia as reservas, já fez avaliação preliminar e abrirá edital para contratar empresa que fará análises sócio-ambientais nas regiões. Os estudos devem ser concluídos até agosto do ano que vem.
O Pará é o Estado com maior número de unidades de conservação federais do Brasil, tendo também a maior área em hectares. As novas unidades se somarão às 44 já existentes no território paraense, um total de 18,1 milhões de hectares, 20 delas reservas extrativistas, totalizando 4,4 milhões de hectares.
Há outra proposta de criar Resex em Primavera (nordeste paraense), a 194 quilômetros da capital, cujo processo ainda está em fase inicial. "Essas quatro cidades do litoral já foram visitadas por técnicos do ICMBio. Agora estamos abrindo edital para contratação do diagnóstico sócio-ambiental", explica a analista ambiental Maria Goretti Pinto, ao informar que a empresa será contratada até o final deste ano e terá oito meses para fazer os estudos. 

Acho legal isso. Assim, ninguém pode dizer que as pessoas do Pará não convivem com a Amazônia: nós também somos a Amazônia. Mesmo em Belém, uma selva de pedra, convivemos com as grandes mangueiras e as chuvas.

De: Canal Ciência IBICT

Ciência mostra porque preservar a vegetação de mangues e restingas é essencial para as comunidades pesqueiras


O que é a pesquisa

 
O litoral amazônico tem cerca de 1200 quilômetros abrangendo os estados do Amapá, Pará e Maranhão. O litoral do Pará, a leste da desembocadura do Amazonas, destaca-se por sua forma recortada com estuários pouco profundos (rias) separadas por pontas arenosas ou lamosa, integradas por ecossistemas de mangues e restingas, muito ricos em recursos alimentares e assim habitados desde a pré-história.
Esta pesquisa, levada a cabo por cientistas do Museu Paraense Emílio Goeldi, visa levantar, ampliar e fornecer informações sobre o uso da vegetação desses ecossistemas litorâneos pelas comunidades locais de pescadores, identificando as espécies usadas na construção de currais, no acondicionamento de alimentos, na medicina caseira e como nutrientes.
A pesquisa está focada nas vilas de pescadores de Marudá, Camará e Bacuriteua, pertencentes ao município de Marapanim (PA), e localizadas na Zona do Salgado, composta pelos municípios que sofrem influência do Oceano Atlântico.

Como é feita a pesquisa

Para obter as informações foram aplicados questionários, submetidos no mínimo a seis informantes por local pesquisado. As perguntas se centram nas espécies usadas, tipos de uso e locais de ocorrência das plantas. Reuniões com a comunidade e depoimentos diretos complementaram os dados.
As espécies vegetais citadas foram coletadas com auxílio de moradores, conhecedores de seus nomes vulgares e identificadas pelos métodos tradicionais utilizados em taxonomia. O material fértil está depositado no Herbário MG do Museu Paraense Emílio Goeldi.
A pesquisa amplia o leque conhecido dos usos de espécies vegetais pelas populações costeiras, incluindo - além de alimentação, medicina caseira e confecção de currais - a construção de barcos e a obtenção de carvão, tintas e resinas para calafetação das embarcações. As plantas são provenientes de matas, campos, igapós e principalmente mangues e restingas da área.
Os resultados ressaltam a importância do ecossistema manguezal para as comunidades pesqueiras, já que além de criadouros naturais e abrigos para espécies de peixes, camarões, caranguejos e aves; de protegerem o litoral contra erosões e tempestades e reterem sedimentos evitando o assoreamento. A vegetação destes ecossistemas é fonte de madeira, usada na construção de casas, barcos, cercas e postes, bem como para lenha e carvão. Cascas e folhas também contém tanino, poderoso adstringente usado na curtição do couro, no tingimento das velas e na medicina caseira, para curar disenterias e hemorróidas.
As espécies conhecidas como mangueiro (Rizophora mangle ), tinteiro (Laguncularia racemosa) e a siriubeira (Avicennia germinans) fornecem moirões e varas usadas para construir currais de pesca. Um único curral demanda de 100 a 200 moirões (6 a 7 metros de altura) e 200 a 400 varas (4 m de altura), mas a retirada destas madeiras ocorre de forma sustentável, em pontos variados, respeitando o tamanho das árvores e aguardando a recomposição da vegetação nos locais já explorados.
Nas restingas da área pesquisada estão identificadas diversas formações vegetais nas quais ocorrem espécies aproveitáveis:
1. Nas áreas ainda banhadas pelas marés ocorre a espécie Spartina alterniflora, que vegeta sobre pedras e de cujas raízes faz-se um chá contra a asma;

2. Entre as plantas rastejantes, nos primeiros cordões de dunas, está a salsa-de-praia (Ipomoea pes-caprae Rottb.), usada em banhos contra coceiras, e a losna (Ambrosia microcephala) usada contra anemia, cólicas, diarréias e como alucinógeno;
3. Nos brejos que ficam no reverso dos cordões de dunas, e que são áreas inundadas periodicamente, vive a verônica branca (Dalbergia ecastophyllum) cujas raízes e cascas combatem inflamações uterinas e anemia, e a jipooca (Entada polyphylla), de cuja raiz extraí-se uma espuma que alivia coceiras;
4. Na restinga aberta com capins e ervas intercaladas por moitas e arbustos, encontra-se o umiri, ou mirim (Humiria balsamifera) cujo fruto é comestível e cujo tronco fornece cavacos para a cobertura de casas. Do muruci da praia (Byrsonima crassifólia) aproveitam-se os frutos, e da copaíba (Copaifera martii), o chá da casca como antinflamatório. Na área campestre há sempre vivas e orquídeas com potencial de aproveitamento como plantas ornamentais;
5. Na mata da restinga, não muito densa, com árvores de 5 metros em média, os troncos finos são muito usados para confeccionar carvão e fabricar varas para cercas e assoalhos das palafitas onde são guardados os artefatos de pesca. Da sucuuba (Himatanthus articulata) extrai-se o leite da casca, usado contra a tosse e em emplastros para contusões, sendo o chá da entrecasca abortivo. O chichuá, ou barbatimão (Maytenus sp.) é afrodisíaco, o abacaxi do mato (Ananás nanus) é outro abortivo, e o bacuri (Platonia insignis) dá frutos comestíveis, usados em doces;
6. Nas dunas internas, fixas e semi fixas, finalmente, há arvores maiores, cuja madeira é aproveitada em construções; plantas medicinais como o mandacaru (Cereus sp.), usado em doenças renais; frutíferas, como o ajiru (Chysobalanus icaco) e mistas, como o caju (Anacardium occidentale) cujas frutas são comestíveis, assim como as cascas e raízes são remédios.
Ainda entre as ervas que vicejam entre as dunas encontra-se a “sete sangrias” (Heliotropium polyphyllum), usada como depurativo do sangue, a vassourinha (Scoparia dulcis) que é vermífuga, a famosa quebra-pedra (Phyllanthus niruri), diurética e usada para eliminar cálculos renais, e a ipecacunha (Hybanthus calceolaria), que é antidiarréica e amebicida. Mencionem-se ainda plantas que fornecem fibras, da família das palmas, usadas para acondicionar pescados e cobrir telhados e paredes de casas.

Importância da pesquisa

A pesquisa demonstra que a vegetação costeira é extremamente rica em recursos aproveitáveis pela população local. Entretanto esta vegetação, por estar próxima a praias, encontra-se em risco de destruição. A paisagem atrai o turismo predatório, a especulação imobiliária e a abertura de estrada, devastando mangues e restingas. O aterramento, a retirada de madeiras e a extração de areia para construções podem desestabilizar esses delicados ecossistemas.
As comunidades locais podem ser afetadas com a diminuição de seus recursos de subsistência, empobrecimento e conseqüentes mudanças de condições sócio-econômicas e culturais. A venda e posse de terras loteadas, ao longo das rodovias, também restringe o acesso às espécies vegetais úteis por parte das populações nativas.
Outra importante função da vegetação é fixar as dunas (que fazem parte do ecossistema das restingas), através da disposição radicular e da ramagem, evitando a movimentação da areia pelos ventos. A eventual destruição desta vegetação pode fazer que dunas já fixadas voltem a se mexer, soterrando casas e, mais grave, assoreando os manguezais, o que pode ser fatal para esses ecossistemas, que por sua vez são essenciais para a pesca e a sobrevivência das comunidades locais.
Além de prejudicar econômica e socialmente as comunidades, a destruição dos mangues e restingas reflete-se diretamente na diminuição da produtividade pesqueira, de recursos alimentares e medicinais. Por isso é crucial, para antropólogos e ambientalistas, preservar as tradições culturais e extrativistas das comunidades que vivem da pesca artesanal e, com elas, os ambientes com os quais os pescadores convivem e dos quais dependem em seu dia a dia.

Texto de divulgação científica publicado em 07 de abril de 2003.

Pesquisador(es) Responsável(eis)

Maria de Nazaré do Carmo Bastos

Título Original da Pesquisa

A importância das formações vegetais da restinga e do manguezal para as comunidades pesqueiras

Instituição(ões)

Museu Paraense Emílio Goeldi

Fonte(s) Financiadora(s)

Convênio CRDI-Canadá/CNPq-Brasil

Sugestões de leitura

CD-Rom:
A biodiversidade vegetal e a comunidade de pescadores na ilha Canela. Faixa: A vegetação da ilha Canela - Lista de espécies. Amaral, D.D.; Bastos, M. N. C.; Santos, J. U. e Costa-Neto, S.V.; Ed. Schories, D. & Gorayeb,MCT/ Museu Paraense Emílio Goeldi, Brasil & BMBF/Center Tropical Marine Ecology-Alemanha. 2001

CD-Rom:
O Pará é Amazônia. Faixa: Flora. Bastos, Maria de Nazaré do Carmo & Santos, João Ubiratan Moreira dos . PRODEPA, Belém do Pará, 1997.

Para adquirir os CD-Roms entrar em contato com a pesquisadora responsável pelo e-mail nazir@museu-goeldi.br